Escrevo esse artigo, com 2 anos de atraso, sobre uma trip que fizemos pra São Bento do Sapucaí em agosto de 2022. Viajamos de Itatim, na Bahia, até São Bento do Sapucaí, SP de carro, em família e com o Aneke, amigo de Itatim, preenchendo a última vaga.
Após dois dias de viagem, fomos recebidos pelo Júlio e pela Carol, amigos do nordeste, que mal tinham terminado a mudança e já tiveram que receber a gente…
No final de semana fiz o curso de primeiros socorros em áreas remotas com a Samanta Chu, que recomendo fortemente pra quem anda por aí escalando no meio do mato. O maior teste foi aguentar o frio que estava fazendo no Refúgio Santalena.
O Aneke estava trabalhando (remoto) e nos dias de semana tinha só o início da manhã pra escalar, então nosso primeiro objetivo foi fazer a Cresta com Normal, pra conhecer a Pedra do Baú e voltar a tempo dele trabalhar. A via é linda, e mais lindo ainda é o visual! No mesmo dia na parte da tarde fui conhecer a Pedra da Divisa, com Eveline e Maitê, entramos na primeira parte da Justiça Infalível e com muito sofrimento saiu a cadena mais forte da trip: Pasycho Man (8c) à vista, essa foi bem legal!
No segundo dia, ainda no esquema de escalar e voltar antes das 10h fizemos a Elektra, na Ana Chata. Via bem legal com algumas travessias, proteção móvel, e algumas proteções fixas old school. Na parte da tarde fomos conhecer a falésia do Quilombinho, com as meninas, onde escalamos algumas vias tranquilas.
No terceiro dia fomos fazer a V de Vingança, No Bauzinho, mais uma via irada do livro “50 Vias Clássicas no Brasil”. A parte que mais curti foi o diedro na primeira enfiada. No segundo turno do dia fomos pra Pedra da Divisa novamente, dessa vez com a Eveline e a Maitê também. Entramos na Chão de Giz, Hell Raiser, Gripe Espanhola, It’s Only Rock’n Roll e por último na Soviética, que me custou um pedaço da restauração do dente da frente em uma mordida de corda pra costurar a parada, mas o importante é que saiu a cadena! kkkkkk
Depois de um dia de descanso a brincadeira ficou mais séria e fomos em duas duplas fazer o Link do Baú, uma junção de várias vias que levam ao cume. Júlio e Aneke foram primeiro, e eu fui com o Marcinho na cola. Começamos pela via Nóia de Cão, que já cobra seu preço na saída do chão, em seguida fizemos a Gregos e Troianos, Learning To Fly, Anormal e terminamos pela Pássaros. Todas as vias são mistas com um estilo bem legal de aproveitamento máximo do uso de proteção móvel. Descemos pela escada da face norte e perto do chão tinha um grande congestionamento de gente subindo, então atravessamos até chegar na via Transbaú, e começamos a escalar ela na terceira enfiada, chegando ao cume pela segunda vez pouco depois das 14h. E lá em cima o Marcinho mostrou a Ensaio de Orquestra, na face sul. O combustível já estava na reserva, mas fizemos mais essa pra fechar o dia!
Descansei mais um dia e fui com Júlio na Pedra da Divisa mais uma vez, onde escalamos a segunda enfiada da Justiça Infalível, uma fenda incrível! E na descida saiu a Kali Maya (8b) à vista e uma nova no pilar central, à esquerda da via Respeito. Voltamos pra casa satisfeitos e morrendo de frio!
Dia seguinte Júlio foi me apresentar mais algumas vias na Ana Chata. Escalamos as vias Lixeiros, Capitão Caverna, Wonder Woman e Tom Sawyer.
Em mais um dia frio, fui com Aneke na Fissura Corneto, que emendamos na Normal do Bauzinho pra chegar ao cume. Resolvemos fazer também o Paredão Tudo Bem, que estava congelante também! Mais uma sequencia de vias lindas e exigentes. Ainda rolou um segundo turno na Ana Chata com a Eveline, entramos na Comunista (8a).
E pra fechar com chave de ouro fui com Júlio na Marvada Bunda, uma escalada bastante exigente na leitura e na guiada. O Júlio já tinha feito então ele deixou eu guiar tudo, não sei se isso foi bom ou ruim, mas fui lá. De cara já passei reto na primeira enfiada até um platô de mato e vi que estava errado, desescalei e peguei pra esquerda virando uma barriga negativa até encontrar a parada. A segunda enfiada é em agarras e talvez seja o lance mais estranho da via, dominar uma barriga com agarras abaoladas com chances de cair no platô, felizmente não caí e seguimos pra cima. Na terceira lembro de uma canaleta lisa e muito pé chapado, e a quarta enfiada já tem uma cara mais esportiva, mas sem deixar de ser exigente também, uma diagonal com chapas e alguma coisa em móvel também. Chegamos ao cume, eu quase borrado de medo e nós dois congelando de frio. Brincadeiras a parte, essa tem que estar com a cabeça no lugar pra guiar, é uma daquelas vias que impressionam pelo estilo da conquista feita algumas décadas atrás.
Pegamos a estrada de volta, felizes demais por passar uns dias no paraíso que é São Bento do Sapucaí! Cercado de montanhas e vegetação abundante, comida boa e amigos. Um dos muitos lugares que eu já estava devendo uma visita fazia muito tempo e que já deveria ter ido antes.