Escalando em Joshua Tree, Red Rocks, Bishop e Tuolumne Meadows – Estados Unidos 2024

Acabei de voltar da segunda temporada de escalada nos Estados Unidos, mas este relato é sobre a temporada anterior.

Em 2024 recebemos em Itatim o Todd Swain, escalador com mais de 50 anos de experiência, autor dos primeiros guias de Gunks, Red Rocks e alguns mais. Em meio à organização do Festival de Itatim, conseguimos escalar algumas vias por aqui, e ouvi um pouco de suas histórias. Foi a convite dele que, ainda no mesmo ano, fiz minha primeira viagem pros Estados Unidos, a qual descrevo tardiamente nesse relato.

Saí de Itatim em 2/10 e fiz escalas em SSA, GRU, Atlanta, Salt Lake City, chegando em Palm Spring, próximo à Los Angeles no dia 4, fazia quase 40°C, era o final de uma onda de calor.

Sobrevoando o deserto

Encontrei o Todd e fomos pra Joshua Tree para passar a noite e então seguimos pra Bishop, nosso primeiro destino de escalada.

BISHOP

Bishop é uma cidade que fica aos pés da Sierra Nevada, uma cordilheira que atravessa boa parte da Califórnia, mais ou menos de norte a sul. Lá tem escaladas de todos os estilos, de boulder à escaladas alpinas na High Sierra. A cidade é pequena, mas tem ótima estrutura para escaladores e turistas em geral.

A imensidão da paisagem impressiona tanto quanto suas mudanças, começando no deserto e terminando perto das montanhas, passando pela Sierra Nevada, onde vimos o Mt. Witney. Todd me mostrou rapidamente os boulders de Buttermilks, não rolou escalada, sem crash e sem ninguém escalando, mas foi legal ver o tamanho gigante dos blocos!

Buttermilks

Fomos para perto do perto do South Lake e onde ele queria me levar estava sem lugar pra estacionar, então escalamos algumas vias próximas do lago, sem corda. Era outono e perto desse lago tinha dezenas de pessoas fotografando as folhas amarelas dos pinheiros no Bishop Cânion (South and Nedle Fork).

No dia 6 foi dia de conhecer o Pine Creek Cânion, com Tai (autor do guia local), James e Todd. Escalamos 4 esportivas de até 5.11c na Mustache Wall e pra fechar com chave de ouro a clássica Sheila, um diedrão de 40m incrível! Dia lindo de escalada, lá já não estava tão quente (pra mim).

Mustache Wall
Sheila

TUOLUMNE MEADOWS

Nosso roteiro tinha muitos lugares pra conhecer, dentre picos de escalada e outros lugares que o Todd propôs, então seguimos viagem no dia seguinte até a entrada Oeste do Yosemite National Park, pelo Tioga Pass até Tuolumne Meadows, a parte alta do parque, mas ainda longe do famoso Yosemite Valley.
Fomos até o mirante onde dá pra ver o Half Dome, vários impressionantes domos de pedra até chegar lá! Escaladas no Medlicott Dome, Onde tem a Peace e algumas rotas históricas do John Bachar. Escalamos primeira enfiada de duas vias de 5.10 e 5.11 ali perto, que me lembraram bastante a Pedra da Boca e a Pedra Riscada, até que a chuva encerrou nosso dia.

Domos na estrada de Tuolumne

 

Todd nos knoobs do Tuolumne

 

Medlicott Dome abaixo e à esquerda do platô da peace, escalei essa mas não achei o nome!

Voltamos pra Bishop e no dia seguinte saímos em direção ao Death Valley National Park, lugar mais baixo e mais quente da região, onde já foi registrada a maior temperatura da superfície do planeta. Passamos antes pelas árvores mais antigas do mundo, no Ancient Bristlecone Pine Forest com pinheiros de até 4mil anos.

Ancient Bristlecone Pine Forest

DEATH VALLEY

Em apenas poucas horas de estrada saímos de 15° pra 40°. No vale fomos no Titus Cânion, onde o Todd abriu algumas vias trad no calcário 35 anos atrás. No Death Valley começa a corrida Bad Wather Run, que sai de Bad Waher Basin, um oásis de água (obviamente não potável) e muito sal, 86m abaixo do nível do mar, e vai até o Mt. Witney.

Dia 9 visitamos a Keane Mine, uma das antigas minas de ouro no Death Valley, tomamos café em um oásis onde tem um museu das minas e um campo de Golf. Há Alguns hotéis que são literalmente oásis na região.

Carro puxado pelos burros

Antiga mina de ouro
Salina no Death Valley

RED ROCKS

Ainda pela manhã seguimos viagem pra Las Vegas, onde escalamos em Red Rocks no setor Cannibal Crag, Calico Basin, também algumas vias que o Todd abriu.

Cannibal Crag

Mescalito foi onde escalamos no dia seguinte. Fizemos Dark Shadows 5.8 até P4, de onde a maioria das pessoas rapela, escalada incrível que deixou gostinho de quero mais! Depois provei a Slot Machine 5.10, uma placa com fendinha fina incrível logo ao lado. Mais à esquerda fiz a primeira enfiada da Risky Business 5.10 PG13 (é como eles chamam aquela via que vai te proporcionar grandes quedas, mas sem grande potencial de lesão, é o mesmo sistema de classificação dos programas de TV, tipo não recomendado para menores de 13 anos). E pra fechar, mais uma 5.10 mais pra esquerda, agarras, diedro, tetinho e fenda incrível, longa enfiada, chamada Y2K, conquista do Todd também!

Caminhada pro Mescalito
Dark Shadows
Slot Machine
Y2K

De noite demos uma volta de carro em Las Vegas, impressionante a estrutura dos cassinos, coisa de louco! E no dia 11 visitamos um ginásio em só pra olhar e passar vontade, depois uma loja de equipos e seguimos pra Joshua Tree, 3h e pouco de viagem.

Algumas pecinhas de museu numa loja em Vegas
Comida mexicana sempre salvando nas estradas!

JOSHUA TREE

No dia 12 em Joshua Tree fizemos um passeio que eu não teria colocado no roteiro, mas que não me arrependo de ter feito: Art Tour, um evento que rola todo ano, onde os artistas locais expõem seus trabalhos nos seus próprios ateliês, que são mais de 200 diferentes, dentre fotografia, cerâmica, pintura, street art, coisas malucas com sucata e metal, muito massa! Se você estiver por lá em outubro, não perca essa chance ao menos em um dia de descanso. Muitos ateliês devem funcionar também ao longo do ano, fora dessas datas específicas. Mesmo fora dos ateliês, Joshua Tree é uma cidade bem artística, se vê muitas esculturas pelas ruas e em quase todas as casas. Fotos, não tirei nenhuma.

Catálogo/mapa dos participantes do Art Tour

E então, no dia seguinte Todd me apresentou o André, escalador brasileiro que vive em JT, e o André por sua vez, me levou pra um dia de escalada memorável, nas vias de fenda mais clássicas de lá! Fizemos Orfan (5.9) na Old Woman, depois Jumping Jack Flash (5.11b) que já me ejetou do crux e deu trabalho pra isolar. Na Echo Wall saiu a Crime of The Century (5.11a) e na Rusty Wal subi a Wangerbanger (5.11c) com algumas quedas.

Orfan
Jumping Jack Flash
Crime of The Century
Wangerbanger

Seguimos pra super técnica Coarse and Buggy 5.11a/b, um belo diedro de micronuts. Depois fomos pro Real Hidden Valley onde fiz a mega clássica Illusion Dweller 5.10b pra fechar com chave de ouro, passando da parada e saindo pelo cume.

Coarse and Buggy
Illusion Dweller
André! Obrigado pelo dia incrível!

Dia 14 foi mais um dia com muitas ótimas escaladas, dessa vez o Todd me levou em algumas vias mais fáceis, mas não menos interessantes que as do dia anterior: Nurn’s Romp 5.8, Exorcist 5.10a TR, Sail Away 5.8, Wild Wind 5.9, Granie Goosts 5.7 e Grandphagander 5.10c.

Nurn’s Romp?
Sail Away

A noite fiz uma apresentação sobre Itaim em uma espécie de clube, pra galera local, gente nova e muitos veteranos da escalada! Foi desafiador, pois eu estou longe de falar inglês fluente, tá mais pra um inglês de sobrevivência, mas com a boa vontade dos ouvintes, deu certo! No ano seguinte já recebemos em Itatim a visita de escaladores que assistiram a apresentação.

E pra fechar, deixo aqui a lista de vias que fizemos no último dia, pra somar com as outras recomendações pra quem quem for escalar por lá, todas iradas:
Wataneasy Route 5.7
Watanobe wall 5.10a
A womans work is never done 5.10c
Working over time 5.9
Head over heals 5.10a
For Whom The Poodle Tolls 5.9

Wataneasy Route
Wataneasy Route
A womans work is never done
Working over time
Head Over Heals (no canto direito, passando pelo tetinho)

O Todd tem uma respeitável coleção de equipamentos de escalada, tanto de uso próprio quanto de um trabalho de pesquisa que ele fez ao longo dos anos. Pude conhecer parte desses itens, aqui estão algumas fotos.

freios
proteção móvel
proteção móvel
Nuts diversos
bolts
parafuso de gelo
piqueta

Depois fui gastar uns dólares que eu não tinha no gift shop, e seguir o longo caminho de volta pra casa.

Sou muito agradecido pelas inúmeras oportunidades que a escalada me proporcionou, e essa trip foi uma das mais inesperadas delas, viajar pela Califórnia em si já foi um um sonho realizado, mas poder ter feito isso com um cara com tanta experiência e conhecimento local não só de escalada como de grande parte da história foi incrível, muito aprendizado!

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